30 May

Fanfic: Abandoned cap.31


Abandoned


Autora: NessieBlossom4

Capítulo 31: Ela veio …

Stevie Rae

–Que belo jantar –sussurrou Vénus ao meu ouvido –Estás a apanhar-lhe o jeito…
Referia-se ao delicioso cadáver deitado a nossos pés. Eu própria arrastara a adolescente de cabelos castanhos até ali, e devorara-a juntamente com Vénus. Os outros ainda não estavam lá.
–Sempre o tive…
–Não, tu eras aquela coisita insignificante à dois dias, que se alimentava quando podia e não fazia nada sem ser isso… Mudas-te.


–Mudei –não tinha a certeza se aquilo era afirmação ou pergunta, mas sabia que ela tinha razão: À dois dias desistira de Zoey e de me agarrar ao meu lado humano e começara a viver como os outros montes de massa podre, o que era bastante mais fácil do que tentar manter uma humanidade que não possuía.
–Mudas-te –concordou – ou respondeu .
–Pena que já tenha acabado –constatei.
–É –ela fixou o cadáver a nossos pés –soube a pouco.
Nesse segundo, calamo-nos, escutando os passos que se aproximavam. A luz fraca do candeeiro não nos permitia ver muito além, mas o meu nariz reconheceu-a. Ela voltara.
Agora que decidira ignora-la? A rapariga estava errada, eu era o que era, e o que eu era era aquilo, e aquilo era um monstro sugador de sangue. Pois fosse, não queria saber.
–Oh Minha Deusa! Stevie Rae! –berrou a voz conhecida, do fundo oculto do túnel.
Escutei a voz ecoar por uns segundos, antes de outro ruído me chamar a atenção… Um leve e doce pulsar era a única coisa que ouvia agora, embalando-me. Acabara de comer, dai estar com o sangue na boca e ansiar tanto por mais.
–Trá-la –disse Vénus, como se lesse os meus pensamentos. Não hesitei.
Em segundos, estava junto dela.
–Stevie Rae! –berrou, atirando-se ao meu pescoço. Não reagi e não a abracei, mas fiquei de olho na jugular que pulsava mesmo debaixo do meu nariz. Afinal não, não ia partilha-la com Vénus, ela que arranja-se a dela –palavras que foram irónicas mais tarde. Mesmo quando me preparava para lhe cravar os dentes no pescoço, ela mexeu-se, largou-me (infelizmente) e fitou os meus olhos.
–Ainda posso arranjar isto Stevie Rae, ainda te posso curar, Nyx vai ajudar-me, TU vais ajudar-me.
Por segundos a minha mente disparou para esses pensamentos, concentrando-se no encanto de voltar a ser normal, mas nessa altura ouvi de novo o coração pulsar, e percebi que não era esse o meu destino.
–Não, não vou. É isto que eu sou. Não vou mudar, tu és a presa e eu o caçador, não à volta a dar-lhe –mantive a voz impassível, sem demonstrar o fervor em que estava por dentro.
–Claro que não Stevie Rae! Tu não és essa pessoa, tu és a minha melhor amiga, e a minha melhor amiga não é um mostro!
–Sou, e vou provar-to. –baixei-me e preparei-me para lhe cravar uma dentada, quando voltou a haver uma interrupção.
–Oh, que nojo de cheiro! Parece que alguém morreu –olhou em volta –Esqueçam, afinal não foi uma, foram três.
–Três? –perguntou Zoey, confusa –Mas quem…
Não lhe dei tempo para perguntar o que quer que fosse, pois tinha reconhecido a voz. Esqueci a minha ex-melhor amiga e dirigi-me à minha pior inimiga.
–Tu… -sibilei.
–Sim, sou eu –respondeu Afrodite –E tu Frigorifico, cheiras a podre.
Rugi.
–Cala-te!
–Não me mandas calar –sorriu docemente.
–Ai isso é que…
–Pára! –berrou Vénus, do outro lado da sala –Afasta-te Stevie Rae, deixa-me passar!
–Tu não…
–Sai dai imediatamente! –tornou a berrar. Concedi-lhe o lugar.
–Afrodite? –interrogou.
Esta parecia completamente atordoada.
–Vénus… -sussurrou.
–O que diabo fazes aqui? –a voz de Vénus estava alarmada.
–Vim buscar-te. –retorquiu a cabra odiosa (a que não tinha uma meia lua vermelha gravada na testa)
A voz e expressão de Vénus passaram de incredulidade para escárnio.
–Achas mesmo? Tu vais ser a minha ceia amiguinha…
–Não! Não! Não vou, tu vens mas é comigo tratar desse cabelo nojento e empastado! E olha só o que trazes vestido! A Vénus que eu conheci nunca sairia à rua assim! –fez um sorriso débil.
–Isso porque a Vénus que tu conheces-te não existe agora, só existo eu, e tu és o meu jantar!
Um grito veio de trás de mim, distraindo-nos a todas.
–Kayla… -sussurrou Zoey.
–Hum? –fiz eu.
–Ela… -reparei que tremia –Ela é a Kayla, a cabra que andava atrás do Heath e que tinha sido minha melhor amiga… Tu ouvis-te! Eu contei-te! Como pudes-te?
–Pelo que eu ouvi, ela fez-te um favor –ironizou Vénus.
Ela ignorou-a.
–Eu odiava-a, mas não tinhas o direito de a matar. –a voz estava gelada, acusadora.
–Achas que sabia quem era? Eu não estou habituada a perguntar os nomes às pessoas que mato!
–Tu… Nós vamos resolver-te, nos vamos tirar-te desse transe, vamos trazer Stevie Rae de volta!
–Duvido que consigas…
–Também eu! –a terceira voz soou, possante, pelo corredor.
–Zoey, sabias que não é bonito faltar a um ritual tão importante? –perguntou Neferet.

CONTINUA….

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