20 Jun

Fanfic: Abandoned cap. 33


Abandoned


Autora: NessieBlossom4

Capítulo 33: Desgraça

John Heffer

A porcaria da festa de Natal dos demónios continuava.
Aquelas coisas andavam por ali a passear, a comer e a prestar culto a uma deusa infernal, que o mais provável seria leva-los a todos para o inferno. Não que não merecessem, pois estavam armados em gente pura, coisa que não eram, e nem se tentavam redimir dos terríveis pecados que cometiam contra Deus.
“Verdadeiras Aberrações! Demónios dos infernos profundos e escaldantes, mas que ainda assim saem de lá frios! O maior atentado à Natureza que o Senhor criara, e ali reunidos a festejar uma crença baseada em mentiras e pecados que eles próprios haviam cometido” não me saia da ideia.
Fora à Missa, obviamente, e não deixara escapar nenhuma das três que tinham sido feitas. Conhecia o Padre que as dera, e era com ele que falava.
Suspirou, cansado.


–Vim cumprir o meu dever e servir o Senhor, se não o tivesse feito estes pobres Cristãos que mal nenhum cometeram seria obrigados a participar nos rituais demoníacos que aquela bruxa lhes prepara… Sortilégios e Malefícios, todos reunidos aqui, quase que sinto as Trevas a vibrar neste ar pesado… Só queria poder partir, mas sinto que é minha obrigação que, por vontade d’Ele, fique e ajude quem nada mais pode fazer do que esperar.
–E fez bem. Eu tive de cá vir, sem remédio possível, e ser obrigado a ver o triste cenário pecador que esta escola de demónios representa… Mas será que me permitia apresentar-lhe a minha mulher?
–Claro, claro! Chame-a, gostaria de trocar umas palavras com ela, deve estar a passar por um momento terrível ao saber o rumo que a sua filha tomou!
–Linda! –berrei. A mulher estava sentada, num banco da Igreja improvisada, a rezar.
Levantou-se e chegou-se ao pé de mim.
–Este é o Padre Charles, meu conhecido, que costumava dar a Missa na Igreja perto de nossa casa, não sei se te lembras.
–Lembro pois –disse, sorrindo-lhe abertamente –Prazer em conhecê-lo.
–E é também um prazer para mim conhecê-la, minha senhora. Mas diga-me, deve estar a ser terrível isto pelo qual está a passar?
–Sim, eu…
Fomos interrompidos por um violento abanar. Tudo chocalhou. As mesas cheias de comida caíram, as pessoas foram atiradas ao chão e até alguns pesados candelabros de metal se soltaram e caíram no soalho pesadamente. Não havia luz, o pânico era geral, até que a violência começou a diminuir, gradualmente, acabando por zerar.
Esquivei-me pela porta, ainda atordoado. Sabia que ela não estava lá, andara à sua procura mas ela não estava em lado nenhum, e seguindo a intensidade do sismo, caminhei rapidamente para fora daquele lugar maldito, sabendo que fora ela quem o fizera.

Não tardei a chegar a um conjunto de vielas sombrias, onde o choque fora maior.
Candeeiros de rua haviam caído, janelas estavam partidas e até havia uma casa ruída. Os gritos de pavor dos residentes, tanto feridos como assustados, ecoavam na escuridão vagamente iluminada pela luz prateada da lua.
–Zoey! Sei que foste tu seu monstro! Sai de onde quer que estejas e implora pelo perdão do Senhor, pois a destruição que causas-te é tão terrível que talvez nem as tuas suplicas te rendam um perdão. –gritei.
Algo se mexeu nas sombras, com rapidez.
–Zoey? Aparece seu demónio!
Aquilo que se mexera nas sombras, deu um pequeno impulso, saltou e aterrou em cima de mim, atirando-me ao chão.
Era a coisa mais nojenta que já vira. O sangue cobria-lhe a cara, cheirava a velho e a podre, e o seu aspecto condizia com isso na perfeição.
Os olhos vermelhos destacavam-se, assim como outra coisa, no meio da sua testa: uma Marca, uma Marca vermelha como sangue.
–Quem éss tu para exigiress qualquer coissa? –sibilou, com uma voz rouca e gorgolejante –Quem éss tu para exigiress ver Zoey RedBird?
–Então trabalhas com ela. –acusei.
Ele riu-se.
–Não… Eu trabalho para acabar com ela…
Ergui as sobrancelhas.
–E o que pensas fazer-me?
Ele riu-se.
–Depende de quem foress…
–Isso não te interessa!
–Iteressssa poiss… Como conhecess a Zoey?
Meditei. Aquilo não poderia piorar a minha situação, apenas a dela.
–Sou o seu padrasto, demónio sangrento. E agora responde-me, o que tencionas fazer comigo?
–Tenciono… Beber-te…
O pavor apoderou-se de mim. Ele tencionava o quê? Senti-me a fervilhar de raiva. Agora aqueles demónios mostravam a cara.
–A Zoey à de pagar por isto! Sua criatura nojenta!
–Esspera… Tu éss o padrassto? O padrassto odiável?
Senti-me indignado. “Odiável”? Que criança insuportável!
–Sou o padrasto da Zoey –repeti.
Ele riu-se novamente, mas o seu riso não transmitia gozo.
–Então vou resisstir à tentassção… Podess provocar-lhe muita dor, e sse morressess ela ficaria feliss. Mass vou apenasss satissfazer-me um pouco, antesss de te deixar.
Aproximou a sua unha nojenta do meu peito, abriu a camisola e cortou-me.
Senti uma dor terrível, mas pior mesmo foi quando se inclinou para lhe tocar com a língua, por mais que me debatesse.
A dor e a agonia percorreram-me, causando-me suores frios.
Parecia ter dificuldade em parar, mas acabou por se afastar.
–Fica bem, trassste…
Senti-me terrivelmente mal. Peguei, a custo, no telemóvel que tinha no bolso.
O um era a marcação rápida.
Aos três toques atenderam.
–Faz soar o alarme. Junto ao velho deposito, perto da Casa da Noite. Parece que os vampyros querem guerra.
Desliguei o telemóvel e cheguei-me a um canto, tentando parar os calafrios na espinha e os engulhos.
Aquela maldita miúda havia de mas pagar, não só pelo que eu sofria, mas por todo o mal que provocara.

CONTINUA……

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