18 Apr

Resenha Destinada: Blog Na Trilha dos Livros

destinadaATENÇÃO! SPOILERS SR VOCÊ NÃO LEU NENHUM LIVRO DA SÉRIE HOUSE OF NIGHT!

Como meu nome do meio é Cristina (mentira, é Ansiedade. Não consegui esperar uns dias para a versão em português), eu não consegui esperar e comprei em inglês e já fui logo embalando na leitura do anterior. Este começa exatamente onde Despertada acabou, ou seja, com Zoey acordando após sentir a morte da mãe e ver Nyx recebê-la no Mundo do Além. Ela está de volta definitivamente à Morada da Noite de Tulsa, mas morando nos túneis junto com Stevie Rae e os novatos vermelhos de seu grupo. E também muito bem acompanhada por Stark. Engraçado é que apesar de sentir e ter quase certeza da morte de sua mãe, Zoey não parece muito abalada por isso. Tudo bem, ela tem lá seus momentos de depressão, mas no geral ela não parece muito afetada por isso. Ela ainda tem que enfrentar o fato de estar na mesma escola que Neferet, mas sem provas, nada pode fazer, e ainda tem que fingir indiferença diante da vampirona do mal.

Ao mesmo tempo, Stark, apesar de no geral estar sempre do lado de Zoey e fazê-la se sentir melhor (fala sério, quem não se sentiria melhor com ele do lado? Já falei antes, sério candidato a Top Piriguetagem 2012 ;D), mas ele começa a sentir a influência da Kalona (lembra que eu falei que um pedaço da imortalidade de Kalona salvou o garoto do arco, como diz Aphrodite, no Mundo do Além?). O imortal ainda entra nos sonhos do guerreiro, mas de um jeito diferente. A influência de Kalona vem em forma de atitudes meio egoístas e contraditórias. E Zoey começa a sentir isso. Mas Stark é mais forte, assim como seu amor por Zoey, e ele consegue resistir ao imortal. Até quando ele vai conseguir, só vamos saber no próximo. Falando em Stark, ele tem a habilidade de imitar Seoras, o Guerreiro escocês da Ilha de Skye. E agora é uma crítica à tradução (e aqui eu digo que apesar de a tradução ser razoável, eu prefiro o original). Em português, quando ele faz isso chama Zoey de ‘moçoila’. Em inglês é ‘lassie’ (além do nome da Collie linda dos filmes, isso quer dizer ‘moça’, e é típico da Escócia. E eu suspeitava que era essa palavra). E, não sei vocês, mas ‘moçoila’, para mim, tem um sentido meio pejorativo. Não é um termo lá muito elegante. Tudo bem que a linguagem não preza pelo decoro, mas no livro o sentido da palavra não é pejorativo, de forma alguma. É um termo carinhoso e brincalhão que Stark usa com Zoey. Quem traduziu deveria tomar muito cuidado com essas coisas.

O imortal, por sua vez, está mais afastado dos acontecimentos, o que não quer dizer que ele está alienado de tudo. Na verdade, ele se ressente da escolha de Rephaim, e sente falta do filho preferido, mas não admite abertamente. Só que acontecimentos importantes envolvendo o filho vão colocar seu amor paternal à prova e possivelmente mudar o rumo (mais uma vez) da história.

Já Rephaim esta feliz como nunca agora que é humano parte do tempo. Após pedir perdão a Nyx e declarar seu amor por Stevie Rae, a deusa o agraciou com a forma humana durante a noite e de corvo durante o dia (esta última parte é por causa de seus crimes. Ele ainda tem que pagar. E isso me lembra muito um filme velhinho que eu adoro, O Feitiço de Áquila. Veja o trailer aqui e confira Matthew Broderick e Michelle Pfeiffer bem novinhos). Agora ele pode estar com Stevie Rae, que é o seu maior desejo, mas ao mesmo tempo, ele sente a falta do pai e ainda espera que o imortal possa se redimir. O que vai causar alguns problemas com os novatos de Zoey, assim como na escola. Fato que eu ADOREI: adivinha qual o programa de TV favorito dele? Game of Thrones, claro (‘tem corvos’, palavras dele). Winter is coming! E Stevie Rae está cada vez mais assumindo o papel de Grande Sacerdotisa vermelha.

Um dos que tem um problema grave com Rephaim é Dragon Langford. Não que o mestre as armas não tenha motivos. Antes de conhecer Stevie Rae e ganhar sua humanidade, Rephaim matou Anastasia, a esposa de Dragon. Este aliás ganha seu ponto de vista neste livro (e só para saber, tem um livro só dele. Confira em House of Night series). Ele está perdido e agora não parece mais do lado de Zoey e cia. E, pior, as Trevas começam a se aproximar muito dele.

Outra que ganha seu ponto de vista neste livro é Lenobia, a mestre dos cavalos (e ela também tem um livro só dela. Veja no link acima). A professora, aliada de Zoey, tem agora que lidar com o fato de ter um ajudante humano nos estábulos. O tal é um cowboy que mexe com a cabeça das novatas (e com a dela) chamado Travis. Sinceramente? Eu achei a parte dela meio solta no livro. Acredito que ela será mais desenvolvida nos próximos, mas neste ficou deslocada. Só serviu mesmo para mostrar que a mestra ganhou um boyfriend.

Outra personagem que ganhou voz própria, neste caso em mais sentidos que um, foi Shaunee. A metade das Gêmeas mostrou que pode sim pensar por si mesma. Ela simpatiza com Rephaim, porque ela mesma tem problemas com o pai, fato que esconde de todo mundo, até mesmo da Gêmea. Gostei dela assim, mais sensível e insegura. E como um indivíduo e não metade de nada. Erin, por outro lado, continua fútil e, para mim, insuportável. E egoísta. Sério, até este, eu achava que as Gêmeas eram completamente descartáveis. Agora, Shaunee é legal, mas Erin ainda pode sair da história que não afetará em nada (pelo menos pelo que foi narrado até aqui).

E falta falar de um personagem novo. Aurox (sério, eu sei que ele foi criado e eu até entendo o porque do nome, mas que nominho infeliz!). Ele foi criado pelo touro das Trevas, como presente para Neferet, no final de Despertada, mas como o sacrifício de Neferet foi incompleto, permitiu uma falha. E Nyx, se aproveitando disso, mandou a alma de Heath para dentro da criatura. O ser esquisito parece um garoto normal, mas basta Neferet mandar que ele destrói tudo se transformando em um treco estranho com cascos e chifres de touro. Ele é na verdade um receptáculo, e não deveria ter pensamentos próprios e nem sentimentos. Seu único objetivo é obediência cega à vampirona do mal. Mas, como o sacrifício foi imperfeito, ele não funciona lá muito bem. Honestamente não gostei dele. Ele como personagem até tem seu apelo, mas na verdade o que me incomoda é que ele parece mais uma tentativa desesperada de manter Heath na história. Tudo bem que ele está aí como trunfo para ajudar Zoey, mas cansa esse monte de namorados dela. E acho que as autoras ainda não se convenceram disso. Quer dizer, quando ele finalmente ela se contenta com um só (e que um ;D), outro volta. Nada contra Heath, mas ele deveria permanecer bem morto.

E falando em morte, quem dá as caras na Morada da Noite de Tulsa é Thanatos, a vampira do Conselho Supremo que tem afinidade com a Morte. Gosto dela. Ela é inteligente e não se deixa enganar por Neferet. E ela está lá com um objetivo bem claro: conseguir provas contra Neferet, não que esta última saiba ou sequer desconfie de alguma coisa.

O ritmo também é mais lento do que os outros, e na minha opinião, é mais fraco que Queimada, Tentada e Caçada, que para mim são os melhores. Tem mais enrolação neste e o principal acontece mesmo no final. Ele tem pontos bem legais, como eu disse, mas parece que as autoras estão perdendo o fio da meada. Como eu disse, elas misturaram muita coisa, e não sei se vão conseguir sair desta confusão. É esperar pelos próximos para ver. Mas a narrativa continua gostosa e prende a gente até o fim. Para quem gosta, vale a pena conferir.

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Comments (2)

Gimmsevero
18 de April de 2012 Reply

Ahhhh acabei de ler, precisoo mt do Hidden

Clara
18 de April de 2012 Reply

Concordo plenamente com essa resenha. As autoras (por mais que eu as ame) perderam-se da história e, como disseram acima, fizeram uma tentativa completamente desesperada de manter mais um dos namorados da Zoey "vivos na história". Espero que o próximo livro seja melhor que esse, que me encantou bem menos que todos os outros.

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