18 Jun

Resenha Marcada: Flor de Liz

Marcada Capa alta

O mundo de Marcada não é como o nosso. Nele, os vampiros existem e vivem com sua própria cultura, que é muito diferente da que conhecemos como “cultura dos vampiros”. Para começar, eles estão inclusos no restante do mundo, que os reconhecem como vampiros. Têm escola especial para eles, que os orientarão durante a transformação. Zoei que vivia neste mundo como humana, apenas uma simples adolescente, vê sua vida transformada no dia em que é marcada. Um vampiro rastreador que já a observava chega e a marca. Neste mundo, isso significa que a partir daquele momento, Zoey está destinada passar pela transformação de uma vampira. Detalhe: pode acontecer de seu corpo rejeitar a transformação e ela acabar morrendo. A marca de lua crescente na testa desperta sua transformação, e claro, para um ser humano normal, isso é assustador. Depois de muito desespero, passando por cima de sua louca família, consegue fugir para a casa da avó que a encaminha para a Morada da Noite. Gostei do toque do padrasto chato e hipócrita. Ele é de uma religião que se liga ao cristianismo, porém não prega o amor em seu pleno sentido, usando muitas vezes da hipocrisia em seu modo de agir, no modo de ver as pessoas e as tratar, contrariando aquilo que nos foi ensinado por Jesus. Por que algumas religiões que falam Dele não usam verdadeiramente seus ensinamentos? Isso é algo a se pensar… Talvez o Deus deles não seja o mesmo que o meu, apesar de ter o mesmo nome. Questões complexas e de opiniões divergentes à parte, Zoey chega à casa de sua avó.

“Era como olhar para o rosto de um estranho familiar. Sabe aquela pessoa que você vê no meio da multidão e jura que conhece, mas não conhece? Agora esta pessoa era eu: a estranha conhecida.”

No entanto, no caminho, desmaia e em seu sonho conhece a deusa Nyx, que a encarrega de uma missão que Zoey não compreende. A missão mistura sua nova realidade com a mitologia Cheeroke, dos ancestrais de sua avó. Além disso, a Deusa a toca, fazendo com que sua marca se altere. Ao despertar, Zoey encontra sua avó e é levada à Morada da Noite, finalmente. Onde fica sob a tutela da sacerdotisa Neferet. Quando vê seu reflexo, Zoey vê que sua marca é diferente das demais, logo no início da transformação já está completa. É colorida e bela, o que chama a atenção de todos para a sua testa. Lá faz amigos que considerei muito legais. A primeira é Stevie Rae Johnson, sua colega de quarto super simpática, com estilo vaqueira. Adorei ela. Do seu jeito simples, se mostra uma verdadeira amiga, que sabe como agir para cuidar de quem ama. Além dela há Erin Bates e Shaunee Cole, que são as “gêmeas”. Apesar de não terem nenhum tipo de parentesco, elas têm um modo parecido de pensar e grande afinidade. Também amei o personagem Damien Maslim muito bom! Ele é um dos amigos mais próximos de Zoey, e como se imagina pela moda que temos visto por aí, é gay. Adorei sua personalidade impactante e suas palavras complicadas.

Na Morada da Noite, Zoey também acha a antagonista, é claro. Aphrodite Lafonte, que implica com ela sempre que possível, tentando tornar sua vida mais complicada possível. Seria um problema tipicamente teen e cliché, mas o diferencial é o jogo de poder, tanto de “comando” e popularidade, quanto de magia. Em relação a algumas cenas das quais Aphrodite faz parte, vemos certa apelação sexual por parte da personagem. Ela se insinua de várias formas, e me fez pensar nessas garotas que andam por aí tentando parecer melhores que as outras pessoas, tentando rebaixá-las, porque no fundo são terrivelmente inseguras, e ainda por cima tentam chamar a atenção de todos, o tempo tempo. Isso é carência, falta de maturidade, de boa educação ou o quê? O que vocês acham? Creio que no livro tudo tenha o seu motivo, apesar desses desvios de personalidade da personagem. Além disso tudo, e de ser a garota mais popular da Morada da Noite (cof, cof… Cliché!), Aphrodite tem visões do futuro, o que achei muito interessante. Algo tão complicado para uma personagem que aparente tanta fraqueza suportar… Isso com certeza me deixou com mais vontade de ler os próximos e entender melhor o lado dela.

Aphrodite tem uma “conquista” em vista. Zoey vê Erik Night pela primeira vez num super flagra no corredor escuro do colégio, em sua primeira noite lá. Ele e Aphrodite praticam atos que não deveriam ser praticados no corredor de um colégio, se é que me entendem… Depois disso, as primeiras impressões de Erik se mostram erradas. Apesar daquilo, as coisas não eram bem o que pareciam. Ele se mostra atencioso e dedicado, bem melhor do que um típico pegador sem rumo. Enfim, ele é um fofo. E claro, somos levados a cada vez mais torcer pelo romance em vista: Zoey e Erik. Também o considerei um personagem com boa maturidade. Assim como Zoey, que tem 17 anos, e realmente parece que tem 17 anos, muito diferente da Luce de Fallen. Eles sabem ser divertidos, ao mesmo tempo sem fazer criancices, ou seja, são personagens que podem levar o conflito. Nossa… Algo que adoro nos livros adolescentes é que os personagens são boas pessoas. Eu tenho visto ultimamente tanta gente com 15 a 18 anos falando mal dos outros, sem maturidade, educação ou respeito… Isso é tão triste! O mais triste é que vejo isso no colégio onde estudo, que é um dos mais conceituados do Rio de Janeiro, que para entrar, geralmente as pessoas têm que estudar muito. Esse pessoal que sabe tanto não deveria ter um pouco mais de maturidade? Está aí a prova de que conhecimento não é sabedoria, e muito menos maturidade.

A mitologia nova criada pelas autoras é fantástica. Vou contar um segredo para vocês: adoro este misticismo de “deusa”… Essa magia… Adoro muito. Os rituais citados são mágicos, adorei. Além de vampiros, misticismo, cultura indígena e adolescência, o livro te garante boas risadas. E claro, te prende, deixando o leitor ávido por mais e mais descobertas e mais diversão. Já pensou viver num mundo onde os vampiros realmente existem? Já pensou se descobrir vampira do nada e ver sua vida virar de cabeça para baixo? Com certeza pretendo ler os próximos livros, e olha que são vários.

“Ela tinha os meus olhos, que ostentavam o mesmo tom de avelã que parecia indeciso entre o verde ou o castanho. Mas meus olhos nunca foram tão grandes e redondos. Ou foram? Ela tinha os meus cabelos – longos e lisos e quase tão escuros quanto os de minha avó antes de começarem a ficar grisalhos. A estranha tinha as minhas pronunciadas maçãs do rosto, nariz longo e lábios fartos – mais traços de vovó e seus antepassados Cherokee. Mas meu rosto jamais fora tão pálido… talvez apenas parecesse pálido em comparação com o desenho azul-escuro de uma lua crescente perfeitamente posicionada no meio de minha testa. Ou quem sabe fosse aquela horrenda luz fluorescente. Torci para que fosse a luz. Olhei fixo para a exótica tatuagem. Misturada às minhas feições Cherokee, parecia uma marca de bestialidade… como se eu pertencesse a tempos ancestrais, quando o mundo era maior… mais bárbaro. Depois deste dia minha vida nunca mais seria a mesma. E por um momento – só por um instante – me esqueci do horror de ser excluída e senti um chocante estouro de prazer, enquanto internamente regozijava o sangue do povo de minha avó.”


Créditos: Vivian Pitança

Fonte: Flor de Liz

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